Apolodoro
Higino
Antonino Liberal
Ovídio
Partênio de Niceia
Calímaco
domingo, 29 de julho de 2018
Fábulas
Esopo
Babrio
Fedro
Aviano (séc. IV d.C.)
Babrio
Fedro
Aviano (séc. IV d.C.)
Interpretação dos Sonhos
Artemidoro
Filón de Alexandria
Filón de Alexandria
sexta-feira, 27 de julho de 2018
Mulheres
Aristófanes e Plutarco oferecem bom material para o estudo da condição feminina respectivamente nas épocas clássica e imperial. Em várias peças de Aristófanes, as mulheres tomam o protagonismo. E em algumas da opera moralia Plutarchi o tema das mulheres aparece já no título.
quinta-feira, 26 de julho de 2018
Metamorfoses
Ovídio
Apuleio
Luciano de Samósata
Antonino Liberal
Partênio de Niceia
Apuleio
Luciano de Samósata
Antonino Liberal
Partênio de Niceia
terça-feira, 24 de julho de 2018
Banquetes
Platão
Xenofonte
Ateneu
Dídimo, o Músico
Macróbio
Aristóxeno
Plutarco - O jantar das sete sábias
Há um banquete anônimo na Antologia Latina.
Dante Alighieri.
Xenofonte
Ateneu
Dídimo, o Músico
Macróbio
Aristóxeno
Plutarco - O jantar das sete sábias
Há um banquete anônimo na Antologia Latina.
Dante Alighieri.
Música
Nos parágrafos iniciais da Poética, Aristóteles refere-se à aulística e à citaristica e a outras artes de tocar instrumento musicais, não desligadas da criação: criação e execução ligadas ao mesmo profissional.
Em Núpcias de Mercúrio e Filologia, de Marciano Capela, uma das sete artes liberais servas da filologia é a Harmonia (música).
Em Núpcias de Mercúrio e Filologia, de Marciano Capela, uma das sete artes liberais servas da filologia é a Harmonia (música).
Boécio escreveu um tratado sobre música.
Aristóxeno
Dídimo, o Músico.
O último livro do Contra os professores de Sexto Empírico é contra os músicos.
Plutarco, Sobre a música
Aristides Quintiliano.
Aristóxeno de Tarento
Ptolomeu, Harmonica
Aristóxeno
Dídimo, o Músico.
O último livro do Contra os professores de Sexto Empírico é contra os músicos.
Plutarco, Sobre a música
Aristides Quintiliano.
Aristóxeno de Tarento
Ptolomeu, Harmonica
segunda-feira, 23 de julho de 2018
Comparando Homero e Hesíodo
Dois grandes poetas são considerados fundadores da literatura grega e, portanto, da tradição literária ocidental: Homero e Hesíodo. Apesar disso, a grande maioria dos leitores apenas conhece as duas principais obras atribuídas a Homero (a Ilíada e a Odisseia), ignorando os Hinos Homéricos e a épica cômica Batraquiomaquia. Para o leitor comum, Hesíodo permanece escondido atrás desse figura gigante (seja real, seja fictícia) que é Homero. Pessoalmente, depois das minhas primeiras leituras de Hesíodo, acho bastante compreensível que ele seja menos lido do que Homero. Supondo que a grande maioria dos leitores que chegam até Hesíodo já passaram por Homero, vou traças uma breve comparação entre os dois poetas.
A par de semelhanças formais ( os dois poetas usam exclusivamente o verso hexâmetro, a linguagem épica elevada e as fórmulas herdadas da tradição rapsódica) e do cerne temático comum (consideremos, por exemplo, a conhecida afirmação de Heródoto de que esses dois poetas criaram o panteão grego), há muitas diferenças entre seus poemas.
A primeira diferença que é evidente mesmo à mais superficial observação é a diferença de extensão: o menor dos poemas hesiódicos (Trabalhos e Dias, com 828 versos) é menor inclusive do que alguns dos maiores cantos da Ilíada ( o canto III tem 877 versos, o V tem 909 etc.).
Uma outra diferença formal diz respeito ao narrador: enquanto Homero mostra-se sempre impessoal (não usando em nenhum momento a primeira pessoa, não se referindo a si mesmo enquanto persona ou enquanto personagem histórica), Hesíodo, em Trabalhos e Dias, refere-se a si mesmo em primeira pessoa (verso 24: “disseram-me as deusas”) e trata de temas que aparentemente dizem respeito à sua vida pessoal (uma suposta intriga com um seu irmão).
Quanto à temática, os poetas também diferem. Primeiramente, devemos notar que Homero aproxima-se do que poderíamos classificar como epopeia heroica, enquanto os dois poemas hesiódicos que estudamos poderiam antes ser classificados como épico-didáticos. Apesar do cerne mitológico comum, enquanto os dois grandes poemas homéricos falam centralmente dos homens (de modo que a afirmação de Heródoto, no que diz respeito a Homero, talvez se refira sobretudo aos Hinos Homéricos) e escolhe momentos excepcionais desses homens para narrar (os últimos acontecimentos da guerra troiana e o heroico retorno de Ulisses), os poemas de Hesíodo falam sobretudo dos deuses (Teogonia) e do cotidiano não glorioso dos homens (Trabalhos e Dias). Neste segundo poema, já no verso 26, Hesíodo opõe fortemente o mundo dos deuses ao mundo mesquinho dos humanos, quando as musas falam a estes últimos: “Pastores rústicos, infâmias vis, ventre somente”. Ao passo que, em Homero, narra-se momentos espetaculares de humanos espetaculares que aproximam-se inclusive do divino: há vários momentos em que, por exemplo, um mero mortal (auxiliado por um imortal) fere um dos deuses olímpicos).
Os livros de Aristóteles sobre astronomia
Por tratar de objetos distantes e acessíveis apenas a um olhar limitado, as ideias de Aristóteles sobre os objetos e acontecimentos astronômicas parecem-me conter muito mais erros e erros muito mais graves do que os livros biológicos (cujos objetos são observáveis de perto, pelos 5 sentidos, e empiricamente manuseáveis) que contêm muitas intuições maravilhosamente corretas em seu sentido geral, se não até mesmo em seus detalhes concretos.
Mas são belos. Se não pela poética um tanto trágica do erro do homem tateante em busca de refinar seus conhecimentos ("o homem pensa e Deus ri", diz o ditado judaico) ou, ao contrário, pelo sentimento um tanto ufanoso da glória da razão, da sua capacidade de dominar, de domar o mundo ao redor numa imagem/sistema inteligível e útil.
"Diuide et impera", diz o ditado romano se referindo à esfera político-militar. Sabemos, o método de proceder de Aristóteles é analisante e categorizante, ele distribui as coisas em classes e subclasses. Uma das belezas em ler seu livro é flagrar (e poder reviver) o homem nu diante do mundo, ainda pouco revestido do véu de conhecimentos prévios, alheios e automatizados que, nas palavras de Rilke, nos distancia do mundo, se acumulando cada vez mais entre nós e ele, como óculos especiais que não conseguimos mais tirar e que impedem nosso olhar direto, simples, nu e virgem ao mundo ao nosso redor, ou em nós. Aristóteles sabe que nossos sentidos, arbitrários que são, já são uma primeira rede com a qual capturamos esse mundo e que já o modifica e categoriza, parece intuir, como Kant, que o mundo fenomênico é o único a que temos acesso, e se distancia, assim, do idealista Platão, seu mestre (nessa oposição, não ponho qualquer juízo de valor: é apenas uma distinção). Ele tem um método e vai comendo o mundo com esse método,é faminto por abarcar o mundo com sua rede classificatória, com seu poder de compreensão, com os sentidos aliados à razão. Ele descobriu o poder dessa aliança e quer aproveitá-lo. Ele vai guardando na sua bolsa/mente cada nova parte do mundo que compreende, ele compreende para de fato "ter" o mundo, abarcá-lo. Ter não como seu pupilo Alexandre Magno o teve (ele que teve o mundo como o rei do Pequeno Príncipe), mas tê-lo de forma muito mais íntima e real, imiscuindo-se nas suas entranhas. Se Kandel descobriu que cada novo aprendizado modifica fisicamente o cérebro, saliento aqui a reciprocidade dessa última frase: o mundo imiscui-se na mente de Aristóteles, o estagirita, no mundo cosmopolita de Alexandre, "conforma-se" intimamente ao mundo: não tangencia ou segue paralelo deslizando pela superfície como a maioria dos homens, mas adentra-o (ou deixa que o mundo o adentre) até nos seus meandros.
Acompanhar a sua mente é uma delícia, seja pela variedade de experiências pelas quais viaja, seja pela própria sensação de vigor e potência que nos faz vivenciar: pegamos carona nesse jorro esplêndido ou, por outra, bicho da terra tão pequeno, voamos alto enquanto nos seguramos nessa águia de fortes asas e expandimos nosso panorama. Schopenhauer criticaria esse uso de "moletas intelectuais". Entendo que a exploração direta, como a do próprio Aristóteles) deve ser algo muito mais intenso, por exigir muito mais engajamento de si mesmo, mas não deixa de ser verdade que um dos prazeres da vida certamente é obter grandes coisas com esforço reduzido.
Aristóteles me causa, ainda, mais prazeres de erudito. Ele errou por muito a circunferência da terra? Saber isso me ajuda a dar o devido peso ao acerto de Arquimedes pouquíssimo tempo depois de Aristóteles, na brilhante cidade de Alexandria, fundada pelo famoso discípulo do estagirita. Além disso, suas obras são das raras sobre o tema que sobreviveram e são fontes importantes para Sêneca na composição do seu livro maior, as Quaestiones Naturales. Eu, que por muito tempo pensei que o adjetivo "inteligente" fosse o particípio presente do verbo "interligar" (interligante > intelligente), gosto de poder relacionar Sêneca com outros pensadores que previamente escreveram sobre os mesmo assuntos.
Mas são belos. Se não pela poética um tanto trágica do erro do homem tateante em busca de refinar seus conhecimentos ("o homem pensa e Deus ri", diz o ditado judaico) ou, ao contrário, pelo sentimento um tanto ufanoso da glória da razão, da sua capacidade de dominar, de domar o mundo ao redor numa imagem/sistema inteligível e útil.
"Diuide et impera", diz o ditado romano se referindo à esfera político-militar. Sabemos, o método de proceder de Aristóteles é analisante e categorizante, ele distribui as coisas em classes e subclasses. Uma das belezas em ler seu livro é flagrar (e poder reviver) o homem nu diante do mundo, ainda pouco revestido do véu de conhecimentos prévios, alheios e automatizados que, nas palavras de Rilke, nos distancia do mundo, se acumulando cada vez mais entre nós e ele, como óculos especiais que não conseguimos mais tirar e que impedem nosso olhar direto, simples, nu e virgem ao mundo ao nosso redor, ou em nós. Aristóteles sabe que nossos sentidos, arbitrários que são, já são uma primeira rede com a qual capturamos esse mundo e que já o modifica e categoriza, parece intuir, como Kant, que o mundo fenomênico é o único a que temos acesso, e se distancia, assim, do idealista Platão, seu mestre (nessa oposição, não ponho qualquer juízo de valor: é apenas uma distinção). Ele tem um método e vai comendo o mundo com esse método,é faminto por abarcar o mundo com sua rede classificatória, com seu poder de compreensão, com os sentidos aliados à razão. Ele descobriu o poder dessa aliança e quer aproveitá-lo. Ele vai guardando na sua bolsa/mente cada nova parte do mundo que compreende, ele compreende para de fato "ter" o mundo, abarcá-lo. Ter não como seu pupilo Alexandre Magno o teve (ele que teve o mundo como o rei do Pequeno Príncipe), mas tê-lo de forma muito mais íntima e real, imiscuindo-se nas suas entranhas. Se Kandel descobriu que cada novo aprendizado modifica fisicamente o cérebro, saliento aqui a reciprocidade dessa última frase: o mundo imiscui-se na mente de Aristóteles, o estagirita, no mundo cosmopolita de Alexandre, "conforma-se" intimamente ao mundo: não tangencia ou segue paralelo deslizando pela superfície como a maioria dos homens, mas adentra-o (ou deixa que o mundo o adentre) até nos seus meandros.
Acompanhar a sua mente é uma delícia, seja pela variedade de experiências pelas quais viaja, seja pela própria sensação de vigor e potência que nos faz vivenciar: pegamos carona nesse jorro esplêndido ou, por outra, bicho da terra tão pequeno, voamos alto enquanto nos seguramos nessa águia de fortes asas e expandimos nosso panorama. Schopenhauer criticaria esse uso de "moletas intelectuais". Entendo que a exploração direta, como a do próprio Aristóteles) deve ser algo muito mais intenso, por exigir muito mais engajamento de si mesmo, mas não deixa de ser verdade que um dos prazeres da vida certamente é obter grandes coisas com esforço reduzido.
Aristóteles me causa, ainda, mais prazeres de erudito. Ele errou por muito a circunferência da terra? Saber isso me ajuda a dar o devido peso ao acerto de Arquimedes pouquíssimo tempo depois de Aristóteles, na brilhante cidade de Alexandria, fundada pelo famoso discípulo do estagirita. Além disso, suas obras são das raras sobre o tema que sobreviveram e são fontes importantes para Sêneca na composição do seu livro maior, as Quaestiones Naturales. Eu, que por muito tempo pensei que o adjetivo "inteligente" fosse o particípio presente do verbo "interligar" (interligante > intelligente), gosto de poder relacionar Sêneca com outros pensadores que previamente escreveram sobre os mesmo assuntos.
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